16.9.07

 

Esclarecendo o Sentido da Citação de Voltaire

Agradeço a atenção que os três comentadores dedicaram ao assunto tocado no meu anterior apontamento e aproveito para deixar um pequeno esclarecimento.

A figura de Voltaire, como muitas outras na História, tem o seu lado luminoso e outro mais obscurecido. Era Voltaire, como sabemos, bastante contraditório, na sua irreverente atitude perante as autoridades, a qual não casava com a cortesia com que convivia com Reis absolutos – Luís XV e Frederico II da Prússia – com vocação de déspotas, por muito que saudassem os ideais iluministas da razão e da dignidade humana. Como escritor – original, inventivo e reflexivo – talvez tenha atingido a sua maior dimensão.

Claro que, apesar do fundo de parentesco das mensagens comentadas no texto, não o coloco no mesmo plano espiritual em que os Nazis se situavam, porque estes, na sua loucura ideológica, saíram mesmo do plano racional.

Apenas referi que, mais de sessenta anos depois do fim da 2ª GMundial, nunca vi ninguém das ditas Esquerdas políticas estabelecer alguma relação, ainda que remota entre aquelas duas referidas mensagens.

Para estas famílias ideológicas bem-pensantes, Voltaire pertence ao Olimpo dos ícones impolutos da Humanidade, enquanto os Nazis fariam parte de uma raça vil, malfazeja da mesma Humanidade.

Ora a verdade é que os Nazis emergiram do seio de uma das sociedades mais evoluídas do Mundo de então, carregada de ciência e de alta cultura, facto que nos deveria pôr de sobreaviso quanto à nossa sossegada normalidade.

Em períodos de convulsão extrema, qualquer sociedade pode resvalar para o plano da anormalidade, do ódio, que gera todas as guerras e fomenta todos os horrores.

Nunca nenhuma sociedade se encontra ao abrigo de embarcar em qualquer aventura ideológica capaz de a conduzir ao descalabro da guerra e da desumanidade, como aconteceu na Alemanha da primeira metade do século XX. Confesso que me agrada a filosofia de vida que subjaz neste conto de Voltaire : que cada um procure pelo trabalho fazer algo de útil para si próprio e, ainda melhor, se também o for para os seus concidadãos.

Talvez nisto se traduza o sensato conselho de Voltaire sobre a necessidade de cada qual cultivar o seu próprio jardim.

AV_Lisboa, 16 de Setembro de 2007

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